Uma membrana simples torna a captura de carbono seis vezes mais eficiente — e mais barata
Engenheiros do MIT adicionaram uma membrana de filtragem em nanoescala a um sistema de captura de carbono, permitindo que as etapas de captura e liberação operem em eficiência máxima. O resultado: um salto de seis vezes na absorção de CO₂ e custos reduzidos em pelo menos 20%, de cerca de US$ 600 para US$ 450 por tonelada.
InovaçãoEquipe Editorial GNGV5 min leitura
Capturar dióxido de carbono diretamente da exaustão industrial ou do ar livre é uma das ferramentas de que o mundo pode precisar para conter a mudança climática — mas sempre foi teimosamente cara e faminta por energia. Parte do problema é um conflito embutido: o mesmo líquido que é bom em capturar CO₂ do ar não é bom em liberá-lo depois para armazenamento, e forçar um único líquido a fazer as duas tarefas significa que nenhuma é bem feita.
Engenheiros do MIT encontraram uma forma elegante de contornar esse dilema, e o SciTechDaily noticiou o avanço. A sacada foi inserir uma membrana de filtragem em nanoescala entre as duas etapas. A membrana separa íons pela carga elétrica — íons de carbonato têm carga dois, íons de hidróxido têm carga um — separando-os com cerca de 95% de eficiência. Isso permite que a etapa de captura e a de liberação operem, cada uma, no ambiente químico que melhor lhe convém, em vez de fazer concessões.
O ganho é impressionante. O sistema aumentou a absorção de dióxido de carbono em seis vezes ao mesmo tempo em que cortou custos em pelo menos 20%, derrubando o preço de capturar uma tonelada de CO₂ de cerca de US$ 600 para aproximadamente US$ 450. Num campo em que o custo é a maior barreira à implantação, economizar tanto é a diferença entre uma tecnologia que fica no laboratório e outra que empresas e governos realmente conseguem construir em escala.
O trabalho foi conduzido por uma equipe que inclui os doutorandos Simon Rufer, Tal Joseph e Zara Aamer, ao lado do professor de engenharia mecânica Kripa Varanasi. O que torna a abordagem atraente é sua modéstia: em vez de inventar uma química exótica, eles adicionaram uma etapa de filtragem bem compreendida a um processo já existente, o tipo de ajuste prático que costuma ser mais fácil de adotar do que um redesenho radical.
A captura de carbono não substitui a redução de emissões na fonte, e nenhuma membrana isolada vai resolver a mudança climática. Mas dobrar a curva de custo para baixo importa enormemente, pois quanto mais barato for tirar CO₂ de chaminés e céus, mais poderemos remover de forma realista. É engenharia a serviço de um planeta habitável — paciente, incremental e, se ganhar escala, genuinamente esperançosa.