Um novo dinossauro patagônico que pode ter pescado como uma garça
Paleontólogos argentinos descreveram Kank australis, um dinossauro semelhante a um raptor, de cerca de 70 milhões de anos, da Patagônia, cujo pescoço longo e flexível sugere que ele caçava peixes como uma garça moderna.
CiênciaEquipe Editorial GNGV4 min leitura
Paleontólogos na Argentina apresentaram um novo dinossauro com um estilo de caça inesperadamente gracioso. Descrito em 29 de maio de 2026, o Kank australis viveu no sul da Patagônia há cerca de 70 milhões de anos e pertencia a um grupo de predadores esguios, semelhantes a raptores. Mas, diferentemente da imagem dilacerante que esses dinossauros costumam evocar, sua anatomia sugere que ele pode ter espreitado peixes em rios e pântanos, assim como faz uma garça hoje.
As pistas estão nos ossos. Liderada pelo Dr. Matías Motta, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, em Buenos Aires, a equipe estudou dentes, vértebras e ossos dos dedos, incluindo uma vértebra do pescoço fundamental, encontrada em 2024. As vértebras cervicais especializadas do animal parecem feitas para movimentos rápidos e precisos, o tipo de bote veloz que um pescador de pescoço longo usa para arrancar a presa da água. Seus dentes afiados e estriados combinam com uma dieta de animais aquáticos escorregadios, e seus ossos do pescoço eram aliviados por câmaras internas de ar. Os pesquisadores estimam que os adultos atingiam cerca de 2,5 a 3 metros de comprimento. As descobertas foram publicadas no Journal of Vertebrate Paleontology.
O nome carrega uma bela ressonância cultural. Kank vem da mitologia do povo Aonikenk, da Patagônia, referindo-se a uma ema gigante cujos passos poderosos teriam traçado uma constelação no céu do sul, enquanto australis significa simplesmente do sul. É uma homenagem adequada, que tece a herança viva da região na história de um de seus antigos habitantes.
Como ocorre com qualquer dinossauro conhecido a partir de restos limitados, o quadro é uma reconstrução cuidadosa, e não uma certeza, e o animal provavelmente comia mais do que apenas peixes, ao dividir seu mundo com predadores muito maiores. Mesmo assim, o Kank australis é um acréscimo encantador à árvore da vida, um lembrete de que, quanto mais de perto olhamos para o passado profundo, mais variado e surpreendente ele se revela.