Enzima que come plastico pode tornar o PET reciclado mais barato que o plastico novo
Pesquisadores do NREL e da Universidade de Portsmouth apresentaram um processo enzimatico de reciclagem de PET que corta custos operacionais em 74% e emissoes pela metade, ficando mais barato que o plastico virgem.
InovaçãoEquipe Editorial GNGV5 min leitura
Uma equipe liderada pelo Laboratorio Nacional de Energia Renovavel (NREL) do Departamento de Energia dos EUA e pelo Centro de Inovacao em Enzimas da Universidade de Portsmouth relatou um avanco importante rumo a reciclagem de plastico economicamente viavel. Publicado na Nature Chemical Engineering em 30 de junho de 2025, o trabalho descreve um processo enzimatico que decompoe o PET, plastico usado em garrafas e fibras de poliester, de forma muito mais barata e limpa.
Os numeros impressionam. Comparado a metodos enzimaticos anteriores, o novo processo reduz custos operacionais em 74%, emissoes de gases de efeito estufa em quase 50% e o uso de energia em 65%. Uma inovacao chave e substituir hidroxido de sodio por hidroxido de amonio, que pode ser regenerado no proprio processo por termolise, criando um sistema de ciclo fechado. Essa mudanca corta em mais de 99% as adicoes caras de acido e base.
O recipiente reciclado de PET atinge um preco minimo de venda de 1,51 dolar por quilo, abaixo do PET virgem feito de combustiveis fosseis, a 1,87 dolar por quilo. Se isso se mantiver em escala, o plastico reciclado podera competir por preco, e nao apenas por regulacao ou boa vontade, uma barreira historica para o plastico circular. A pesquisa contou com colaboradores como os professores Andrew Pickford e John McGeehan, cujo trabalho anterior em engenharia de enzimas ajudou a fundar o campo, ao lado do Dr. Gregg Beckham, do NREL.
A ressalva honesta e que o processo ainda nao foi implantado em escala industrial, e a economia de laboratorio nem sempre sobrevive ao salto para plantas comerciais. Materias-primas reais sao sujas e misturadas, e construir infraestrutura leva anos. Ainda assim, os pesquisadores estao otimistas, e o resultado sugere que um dos problemas mais teimosos da poluicao plastica, a diferenca de custo entre material reciclado e novo, pode estar se fechando. Com bilhoes de toneladas de PET em circulacao, mesmo uma mudanca parcial rumo a reciclagem por enzimas pode manter volumes enormes de plastico fora de aterros e oceanos.