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Material de construcao carbono-negativo usa enzima para transformar CO2 em pedra

Engenheiros do Worcester Polytechnic Institute criaram um material estrutural enzimatico que endurece em horas e captura mais CO2 do que emite, oferecendo uma alternativa carbono-negativa ao concreto, responsavel por cerca de 8% das emissoes globais.

InovaçãoEquipe Editorial GNGV5 min leitura

O concreto e o material de construcao mais usado do planeta, e sua producao responde por cerca de 8% das emissoes globais de dioxido de carbono, em boa parte pelo alto calor necessario para fazer cimento. Em 5 de dezembro de 2025, pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute (WPI) relataram na revista Matter uma abordagem marcadamente diferente: um material de construcao que captura mais carbono do que libera, feito nao em um forno, mas com a ajuda de uma enzima.

O material, chamado material estrutural enzimatico (ESM), toma emprestado um truque da biologia. Ele usa a anidrase carbonica, uma enzima presente nas celulas vivas, para converter dioxido de carbono em particulas minerais solidas que se unem em condicoes suaves. Em vez de semanas de cura, o ESM pode ser moldado em formas estruturais em poucas horas. Segundo o pesquisador principal Nima Rahbar, chefe do departamento de engenharia civil, ambiental e arquitetonica do WPI, produzir um metro cubico de ESM sequestra mais de seis quilos de CO2, ante os cerca de 330 quilos emitidos para fazer um metro cubico de concreto convencional.

O atrativo vai alem do carbono. A equipe relata que o ESM e resistente, com resistencia ajustavel, alem de reparavel e reciclavel, propriedades que poderiam reduzir tanto os custos de construcao de longo prazo quanto os residuos em aterros. Os pesquisadores apontam usos praticos como lajes de cobertura, paineis de parede e componentes modulares, alem de construcao para socorro a desastres e habitacao acessivel, onde um material de cura rapida e baixa energia poderia ser especialmente valioso.

As ressalvas honestas importam. O ESM e um avanco de laboratorio publicado em revista revisada por pares, ainda nao um produto comercial, e passar de amostras promissoras a estruturas duraveis que atendam normas de construcao em escala industrial e custo competitivo e um grande desafio. O desempenho de longo prazo sob cargas e clima reais ainda precisa ser comprovado. Mesmo assim, substituir um dos materiais mais poluentes do planeta por um que ativamente retira carbono do ar, e endurece em horas em vez de semanas, e exatamente o tipo de inovacao de que o setor da construcao precisa. Se o ESM puder ser escalado, os proprios predios em que vivemos e trabalhamos poderiam deixar de ser grande fonte de emissoes para se tornarem uma forma de armazenar carbono.

Fontes

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