Novo dinossauro de pescoço longo do Brasil revela uma antiga ponte de terra
Pesquisadores no nordeste do Brasil identificaram Dasosaurus tocantinensis, um saurópode de cerca de 20 metros e 120 milhões de anos cujo parente conhecido mais próximo viveu no que hoje é a Espanha.
CiênciaEquipe Editorial GNGV5 min leitura
Uma equipe de paleontólogos brasileiros descreveu uma nova espécie de dinossauro de pescoço longo, Dasosaurus tocantinensis, que percorreu o nordeste do Brasil há cerca de 120 milhões de anos, durante o Cretáceo Inferior. Anunciada em 6 de maio de 2026, a descoberta é notável não apenas pelo tamanho do animal, estimado em 20 metros de comprimento, mas pelo que sua árvore genealógica revela sobre um mundo desaparecido e interconectado.
A pesquisa foi liderada por Elver Luiz Mayer, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), e por uma equipe multidisciplinar, com resultados publicados no Journal of Systematic Palaeontology. Ao comparar a anatomia do fóssil com a de outros saurópodes, os cientistas descobriram que seu parente conhecido mais próximo viveu no que hoje é a Espanha. Esse parentesco aponta para um antigo intercâmbio de fauna entre a América do Sul e a Europa durante a lenta fragmentação do supercontinente Gondwana.
Segundo os pesquisadores, os ancestrais desse dinossauro brasileiro provavelmente se dispersaram para o continente sul-americano pela África do Norte, entre aproximadamente 140 e 120 milhões de anos atrás, quando esses territórios ainda estavam unidos. A descoberta ajuda a preencher uma lacuna no registro fóssil do período e acrescenta um novo dado à história de como herbívoros gigantes se espalharam por um mundo cujos continentes estavam dispostos de maneira muito diferente da atual.
Como acontece com qualquer fóssil isolado, as conclusões vêm com a cautela científica habitual: relações inferidas a partir da anatomia óssea podem mudar à medida que mais espécimes surgem, e as rotas precisas de dispersão são reconstruções, não observações diretas. Ainda assim, Dasosaurus tocantinensis é um lembrete animador de que descobertas importantes continuam sendo feitas longe dos sítios fósseis mais conhecidos do mundo, por pesquisadores locais que reconstroem a história profunda um osso de cada vez.