Polilaminina: Molécula Brasileira Pode Reverter Paralisia da Medula Espinhal — Testes Clínicos Aprovados pela ANVISA
Após quase três décadas de pesquisa, cientistas brasileiros da UFRJ desenvolveram a polilaminina — uma forma estabilizada de uma proteína natural humana que atua como "andaime" para a regeneração nervosa. A ANVISA aprovou os testes clínicos de Fase 1, e resultados preliminares, incluindo uma mulher tetraplégica que recuperou movimentos do braço em poucos dias, foram descritos como sem precedentes na história da medicina.
CiênciaEquipe Editorial GNGV6 min leitura
No que pode se tornar uma das descobertas médicas mais significativas do século XXI, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram a polilaminina — uma forma estabilizada da laminina, uma proteína natural encontrada na placenta humana. A descoberta, liderada pela professora Tatiana Sampaio, começou quase por acaso há cerca de 30 anos, quando um colega comprou laminina para um experimento e acabou não utilizando. Sampaio começou a experimentar com a proteína e, ao longo dos anos, encontrou uma maneira de estabilizá-la, desbloqueando seu extraordinário potencial para a regeneração nervosa.
A polilaminina funciona como um "andaime" biológico: quando aplicada diretamente na medula espinhal lesionada durante uma cirurgia, ela fornece uma estrutura de suporte que permite às células nervosas reconstruírem seus axônios rompidos — as longas fibras que transmitem sinais por todo o sistema nervoso. A substância é extraída de placentas doadas por hospitais de São Paulo, tornando-a um recurso natural e renovável. Nos estudos laboratoriais e nas aplicações preliminares em humanos, os resultados têm sido extraordinários e sem precedentes na história da neurociência.
Em janeiro de 2026, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou os testes clínicos de Fase 1 da polilaminina — um marco histórico para a ciência brasileira. A empresa farmacêutica Cristália selecionará cinco voluntários com idades entre 18 e 72 anos que tenham sofrido lesões completas na medula espinhal nas 72 horas anteriores. Um estudo preliminar com oito pacientes já havia demonstrado que alguns recuperaram movimentos significativos — resultados descritos pela comunidade científica como inéditos e revolucionários.
Um dos casos mais emocionantes é o de Flávia Bueno, nutricionista de 35 anos de São Paulo, que ficou tetraplégica após um acidente de mergulho no início de janeiro de 2026. Após uma decisão judicial autorizar a aplicação da polilaminina no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no dia 23 de janeiro, Flávia recuperou os movimentos do braço direito em apenas três dias — um resultado que surpreendeu sua equipe médica e trouxe esperança para milhões de pessoas que vivem com lesões na medula espinhal em todo o mundo.
Embora a polilaminina ainda precise completar os testes clínicos de Fase 2 e Fase 3 — um processo que pode levar vários anos — o governo brasileiro já está em negociações com o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de oferecer o tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Se os ensaios continuarem apresentando resultados positivos, a polilaminina poderá transformar a vida de centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo que atualmente vivem com paralisia. É um testemunho do poder da ciência persistente e movida pela curiosidade — e uma conquista que enche de orgulho a pesquisa brasileira.