Novas ferramentas contra o VSR reduzem internações de bebês em até metade
Estudos do mundo real da temporada 2024-2025 constataram que o anticorpo nirsevimabe e a vacina materna contra o VSR reduziram fortemente as internações de bebês por vírus sincicial respiratório, em alguns grupos etários em mais da metade.
SaúdeEquipe Editorial GNGV4 min leitura
O vírus sincicial respiratório (VSR) é a principal causa de internação em bebês e, por décadas, havia pouco a fazer para preveni-lo. Isso está mudando. Dois estudos do mundo real cobrindo a temporada de inverno 2024-2025, resumidos pelo CIDRAP da Universidade de Minnesota em outubro de 2025, constataram que ferramentas mais novas de prevenção reduziram fortemente o número de bebês hospitalizados.
Em um estudo dos EUA publicado na JAMA Pediatrics, com mais de 5.000 crianças menores de dois anos, o nirsevimabe — um anticorpo monoclonal de ação prolongada dado aos bebês — teve cerca de 81% de eficácia contra a internação por VSR. A vacina materna contra o VSR, aplicada na gravidez para transmitir proteção ao recém-nascido, teve cerca de 70% de eficácia contra a internação. No geral, as taxas de internação por VSR em bebês de até 11 meses caíram cerca de 41% a 51% em relação às temporadas anteriores à introdução (2017-2020), com as maiores reduções — 56% a 63% — nos recém-nascidos mais vulneráveis, de zero a dois meses.
Um estudo francês separado na JAMA, acompanhando mais de 42.000 bebês, comparou as duas abordagens diretamente. Os bebês que receberam nirsevimabe tiveram menores riscos de internação em UTI, suporte ventilatório e oxigenoterapia do que os protegidos apenas pela vacina materna, sugerindo que o anticorpo oferece proteção especialmente forte contra a doença grave.
Algumas ressalvas importam. Trata-se de análises observacionais do mundo real, não de ensaios randomizados, então é possível algum fator de confusão residual, e a eficácia pode variar por temporada e pelas cepas em circulação. O fornecimento e a adesão a ambos os produtos permanecem desiguais entre regiões e países. Ainda assim, a convergência de vários estudos na mesma direção é animadora: após uma longa espera, as famílias agora têm opções comprovadas para manter os bebês mais novos e frágeis fora do hospital na temporada do VSR.