Guatemala Escolhe Onças no Lugar do Petróleo em Sua Maior Reserva de Floresta
A Guatemala decidiu não renovar uma concessão de extração de petróleo dentro da reserva Laguna del Tigre, parte da vasta Reserva da Biosfera Maia. Os poços serão fechados e o local transformado em uma base para proteger a floresta — lar de onças e araras-vermelhas — do desmatamento, da pecuária ilegal e do tráfico.
Meio AmbienteEquipe Editorial GNGV5 min leitura
Em uma decisão que coloca uma floresta tropical acima da receita do petróleo, a Guatemala optou por deixar chegar ao fim uma operação petrolífera dentro de um dos grandes santuários selvagens da América Central. Como noticiou a Good News Network em 28 de janeiro de 2026, o governo decidiu não renovar a concessão de extração da empresa anglo-francesa Perenco em um campo de cerca de 2.800 hectares dentro da reserva Laguna del Tigre — uma área de aproximadamente 336 mil hectares que integra a enorme Reserva da Biosfera Maia.
A Biosfera Maia é uma joia de floresta tropical, que se estende pelo norte da Guatemala e se conecta a terras protegidas em Belize e no México, formando uma das maiores florestas remanescentes ao norte da Amazônia. Ela abriga onças-pintadas, araras-vermelhas e incontáveis outras espécies, além de antigos sítios arqueológicos maias. Há anos, porém, vem sendo corroída nas bordas pela pecuária ilegal, pela extração de madeira e por rotas de tráfico de drogas abertas em meio às árvores.
Em vez de bombear mais petróleo, a Guatemala planeja fechar os poços e reaproveitar as instalações de Campo Xan como base para o exército e a polícia defenderem a reserva, coordenando patrulhas transfronteiriças com o México e Belize. “Isto marca o início de um processo de retomada do controle de uma vasta porção do território nacional”, disse o presidente Bernardo Arévalo. A ministra do Meio Ambiente, Patricia Orantes, colocou a questão em termos mais amplos: “Devemos conservar a Floresta Maia para o bem dos guatemaltecos e do mundo. Proteger o clima é nossa responsabilidade”.
Ambientalistas observam que transformar uma decisão no papel em uma floresta próspera e bem protegida exigirá financiamento e fiscalização contínuos, e alguns são cautelosos sobre se uma presença de segurança reforçada, sozinha, conseguirá deter as invasões. Mas o simbolismo e a substância importam: uma nação em desenvolvimento, com pressões financeiras reais, escolheu a riqueza ecológica de longo prazo em vez da renda imediata de combustíveis fósseis. Numa época em que muitas florestas ainda são abertas para a extração, a escolha da Guatemala de fechar um poço e proteger as árvores é um sinal esperançoso do rumo que a conservação pode tomar.