Mortes maternas no mundo caíram 40% desde 2000, aponta relatório da ONU
Um relatório da ONU divulgado em 7 de abril de 2025 constatou que as mortes maternas no mundo caíram cerca de 40% entre 2000 e 2023, com a razão de mortalidade materna caindo de 328 para 197 mortes por 100 mil nascidos vivos.
SaúdeEquipe Editorial GNGV4 min leitura
O parto há muito é um dos momentos mais perigosos na vida de uma mulher, mas um relatório global divulgado em 7 de abril de 2025 documenta o quanto ele ficou mais seguro. O relatório Tendências da Mortalidade Materna da ONU — produzido pela OMS, UNICEF, UNFPA, Grupo Banco Mundial e a divisão de população da ONU — constatou que as mortes maternas no mundo caíram cerca de 40% entre 2000 e 2023.
Por trás desse percentual há um vasto número de vidas. A razão de mortalidade materna caiu de 328 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2000 para 197 em 2023, queda impulsionada por maior acesso a profissionais qualificados no parto, cuidados obstétricos de emergência, planejamento familiar e tratamento de complicações como hemorragia e pressão alta. Algumas regiões avançaram de forma extraordinária: o leste europeu reduziu sua razão em 75% e o sul da Ásia em 71% no período.
O progresso é desigual, e o relatório não foge disso. Estima-se que 260 mil mulheres ainda morreram de complicações da gravidez ou do parto em 2023 — cerca de uma a cada dois minutos — e a África subsaariana concentra a maioria dessas mortes. O ritmo de melhora desacelerou desde 2016, e as agências da ONU alertaram que cortes no financiamento global da saúde agora ameaçam os frágeis avanços. "O acesso a serviços de saúde materna de qualidade é um direito, não um privilégio", disse a diretora-executiva do UNFPA, Dra. Natalia Kanem, enquanto Catherine Russell, do UNICEF, advertiu que os cortes de financiamento "estão colocando mais gestantes em risco".
A mensagem realista é de um progresso conquistado a duras penas que precisa ser protegido. Como observou o diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, "existem soluções para prevenir e tratar as complicações que causam a grande maioria das mortes maternas" — ou seja, essas mortes são em grande parte evitáveis quando há atendimento. Uma redução de 40% ao longo de uma geração mostra o que o investimento sustentado na saúde das mulheres pode alcançar, e serve tanto como celebração de milhões de mães que sobreviveram quanto como lembrete de quanto o mundo ainda pode avançar.